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quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Saudosa Humildade

Não sou contra a seu estilo de jogo. E todos aqueles que amam o futebol, como eu, também não. Para deixar boquiabertos cidadãos do país do esporte, você precisa tratar a redonda com carinho. E ele faz isso... Mais que isso: é preciso ter personalidade. E ele tem.

A juventude no futebol, hoje, é displicente. Foi-se o tempo em que os recém-criados jogavam pelo prazer de jogar. Saudosismo a parte, até porque nem anos tive pra isso, amar um clube e representá-lo não são matérias que esses alunos têm no ensino fundamental. A preocupação com o arco-íris das chuteiras parece ser mais relevante.

É ser conservadorista pensar num tempo de chuteiras pretas, de limpar o suor na camisa, de sujá-la de terra, de ter orgulho daquele escudo, de nem se preocupar com o cabelo...? Atletas que jogavam por amor ao esporte... E hoje isso sumiu! Por maior que sejam suas qualidades.

Antes de tudo, para a consagração, um craque deve ser humilde: Zico, Ademir, Mané, Rivelino, Sócrates, Falcão, Leivinha, Ronaldo... Nem mesmo Dadá chegou aos pés da discrição e simplicidade desses raros artistas, que conquistaram o Brasil...

Para isso acontecer, não precisa de estudos, de modulação. Isso vem de berço. A educação, o respeito, a humildade, a vontade de vencer... Além de tudo isso: a vontade de se eternizar no coração de cada apaixonado pelo mais encantador dos esportes.

Ao desrespeitar companheiros - que embora não tenham tal talento, parte têm os pés no chão - ele mostrou estar longe de deixar as fraldas. O garoto da praia, que ainda nada de bóia nos braços, quer deixá-las para conhecer o mar e nadar sozinho. Mas ainda só sabe bater as pernas, e não os braços. E enquanto não ouvir seu professor, não saberá como fazê-lo.

Dar um passo de cada vez, e admitir que precisa aprender mais, é a primeira coisa para poder conhecer o mundo. E o sucesso. Talvez seja hora de lembrar das lições, se é que tenha passado por alguma. Não estrague seu futuro, Neymar. E os amantes do futebol agradecem.

Foto: Agência Estado


quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Falsários da Pátria

Que a Copa do Mundo é o maior evento do esporte mundial, isso todos sabem. Que a responsabilidade de quem organiza é grande, também. Mas que o torneio vai acontecer no Brasil, em 2014, isso é uma dúvida.

Os interesses - desde clubes à federações - nunca ficaram tão expostos no futebol brasileiro. Ricardo Teixeira mantém aliados com os mesmos interesses dele, e isso continua a ser o câncer do principal esporte do país.

Muitos desejam a morte do cartola, que agora acha ter mais poder que o próprio Presidente - embora não seja ele quem mande no país. Tudo o que vivemos aqui é um retrato da cultura dos nossos ancestrais colonizadores. O famoso 'jeitinho brasileiro' pra fazer as coisas prevalece, mesmo em um tempo em que muita coisa mudou. Isso não combina mais com a gente!

No país da impunidade, onde milhares morrem de fome, o prazer de quem tem poder é aumentar o patrimônio das contas já fartas de tantos cifrões. Mas não... O futebol supera tudo! A cesta básica deveria vir com um par de ingresso para os jogos. Porque a imprensa ajuda a alimentar essa blasfêmia?

Enquanto jornalista não tornar seus interesses independentes - isso em qualquer parte do mundo - nada será da maneira que a sociedade quer. A não ser que ela se revolte... Assim, os paraísos fiscais seriam belas recordações para falsários da pátria.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Teoria das "Mídias" Quebradas

Conhecido por não ser de meias palavras, Drauzio Varella esteve presente no Sempre Um Papo, na última quinta-feira, para lançar seu novo livro: "Teoria das Janelas Quebradas". A obra consiste em uma coletânea de suas crônicas na Folha de S. Paulo. Falou de tudo, e chegou a responder porque não entrou na política até hoje. "Cada um tem que saber onde é seu devido lugar", disparou.

O evento contou com a colaboração da plateia para perguntas ao médico. Drauzio falou da sua nova série, "É bom pra quê?", que vai ao ar no próximo domingo no Fantástico, da Globo. Nela, serão mostradas diversas plantas que são usadas como remédios pelo interior do Brasil. "Remedinhos de plantas não podem ser receitados sem o devido conhecimento." E explicou: "Algumas delas podem ter efeitos contrários ao que se espera".

Embora Drauzio tenha descrito que a situação é bem mais alarmante do que imaginamos, a série, para ele, tem um único objetivo. "Temos que separar o que é crendice de ciência", alertou. E então aproveitou para mostrar sua inestimável inteligência: "Quando você tem espaço na imprensa, você tem que usá-lo com sabedoria", conjecturou o médico.

Hoje, esta sabedoria serve para banalizar a esperança das pessoas de que um dia pudesse haver mudanças. A arte de moldar a vida quase nunca foi pensada em melhorar o lado crítico de uma nação. Não no Brasil. A imprensa está cada vez mais longe de servir o interesse do público, mas sim público. Por trás, o interesse comercial abala qualquer expectativa de que isso seja mentira.

Excessões à parte, a crítica incisiva ao Estado nunca será aprofundada. Os interlocutores são plataformas limitadas de protesto. No caso da série de Drauzio, a crítica possa estar em apenas 1% do que deveria estar. Os meios estão cada vez mais parceiros dos interesses. E, infelizmente, a sabedoria pedida por ele está longe de ser do jeito que cada um dos jornalistas queria...


quinta-feira, 19 de agosto de 2010

O Gigante e a festa...

O que de mágico tem o futebol? Toda manifestação popular de sucesso resulta alegria. E essa final não podia ser diferente de nenhuma... E realmente não foi. Foi, na verdade, uma final à parte.

Corre o jogo, e o favorito não foi tão bem do jeito que pensavam que fosse. O sofrimento, afinal, faz parte do processo. E não foram apenas 90 minutos, foi o dobro disso. Mas no fim...

Caldeirão pulsante, na cor do sangue que corre no corpo de cada um dos 53 mil torcedores. O gol revés parece despertar a ira dos guerreiros, que em nenhum momento deram a batalha como perdida. Ao contrário. A leveza do toque de bola canarinho, salpicado de tango, envolve o adversário, e encanta até mesmo quem está de escanteio na disputa.

Parece o mesmo filme. A nova volta por cima, em busca da glória máxima da América. E recomeça: 1, 2, 3... O Gigante esperou, e eles começaram a festa... Ali, cada garganta expressava o que cada coração sentia: a explosão de vencer. Até sangue foi deixado no gramado. O orgulho é vermelho, e eles vivem a exaltá-lo. Arrepia! Arrepia qualquer pessoa que viu o espetáculo...

A desatenção no fim da partida não foi capaz de estragar a magia. A noite parecia um sonho. O futebol é sensacional. Quem o ama, sabe que a noite de ontem só foi possível graças a uma coisa: a bola. Objeto simples, que faz alegria. Futebol é especial, assim como foi a conquista do Sport Club Internacional. Que continuem com a camisa vermelha na mão...

Torcedores, comemorem! Afinal, VOCÊS são Libertadores... Parabéns!

terça-feira, 17 de agosto de 2010

O respeito por um ídolo

Brigar com a balança não é uma coisa fácil. Quem tem tendência a ser gordinho sabe do que eu to falando... Agora imagina pra quem depende do corpo pra ser feliz? Calma, não é sobre isso que eu quero falar. O fenômeno Ronaldo, do Corinthians, tem brigado com ela já há um bom tempo.

Ronaldo é um cara vencedor, todos sabem. Já ganhou dois Mundiais e foi o melhor jogador do mundo por três vezes. Ídolo nacional, o atacante tem carisma, é humilde e aquilo que é raro hoje: futebol brasileiro. Entretanto, Ronaldo tem sido execrado pelas pessoas por sua forma física. Com razão. Não há de ser passivo quando fazemos análises.


Mas, como tudo no Brasil, nada é valorizado. Não é difícil encontrarmos críticos que desdenham do Fenômeno. Não de sua capacidade. Mas de sua luta contra a balança. Não basta ser cético. O interessante é perder o amigo, e não deixar de rir. Tudo é assim - já dizia Simão - no país da piada pronta.

Ser engraçado gera popularidade, talvez. Idolatrar quem merece parece um sacrilégio para a nação. Infelizmente, só quando já estão a sete palmos do chão. Vide Cazuza, Raúl, Renato Russo, Cássia Eller... E tantos outros que não viram a consagração enquanto vivos. Provavelmente demore um pouco para que a idolatria por Ronaldo seja um consenso e que ganhe o devido respeito.

Comigo - diga-se Palmeirense - Ronaldo terá sempre seu lugar cativo na memória, como aquele que vi ser dono dos melhores gols, da melhor volta por cima, da melhor humildade e do melhor futebol. Ronaldo é gênio. É 'o' cara da minha geração. E terá sempre meu respeito, independente do hoje.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

TSE e a sua piada...

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) garante que a medida tomada contra os humoristas, que não permite chacotas contra os candidatos à presidência, deva ter uma influência grande na intenção de voto do eleitorado nacional.

A única coisa que consegue despertar a crítica das pessoas no Brasil - pelo menos daqueles que não se importam com política - são programas como CQC e Pânico na TV. A turma da Band com mais intensidade. O que há de ruim em fazer chacota com aqueles que nos fazem de palhaço?

Outro argumento usado pelo Tribunal foi de que a TV tem uma capacidade de influenciar maior do que os veículos impressos. A concessão governamental de TV explica todos esses interesses. A independência de outros meios na mídia não pode ser controlada diretamente, exceto quando começa a incomodar.

É bom que se saiba que imprensa livre não existe no mundo, e todos esses tipos de proibições - CENSURA, melhor - só expõem o quanto as coisas são controladas na sociedade. O mundo te vigia a cada minuto, e quem manda nele faz piadas como essas.